Qual Swab com Meio de Transporte usar? Entenda as diferenças, vantagens e aplicações
10 min de leitura
Conheça as diferenças entre os meios de transporte Stuart, Amies, Amies com Carvão e Cary-Blair, suas aplicações clínicas e como escolher o swab ideal.
A escolha correto do Swab com Meio de Transporte faz toda na análise microbiológica como um todo. Isso porque, sucesso do isolamento de um microrganismo depende, em grande parte, da etapa de coleta e das condições de transporte até o laboratório.
É importante lembrar que, em alguns casos uma amostra permanece por horas entre a coleta e o processamento. Durante esse período, fatores como temperatura, desidratação, alterações de pH e metabólitos produzidos pelos próprios microrganismos podem comprometer sua viabilidade.
Por isso, os meios de transporte desempenham um papel fundamental: preservar os microrganismos sem estimular seu crescimento.
Dentre os tipos de Swab com Meio de Transporte mais utilizados dentro da rotina de análises microbiológicas estão Stuart, Amies, Amies com Carvão e Cary-Blair. Todos eles possuem o mesmo objetivo, que é de manter a integridade da amostra durante o transporte, mas, cada um deles possui características específicas que o tornam mais adequado para determinados tipos de coleta e microrganismos.
Neste artigo, você entenderá as diferenças entre esses meios, suas aplicações e como selecionar a opção mais indicada para cada situação clínica.
O que é um swab com meio de transporte?
O swab com meio de transporte é um dispositivo utilizado para coletar e transportar amostras microbiológicas preservando a viabilidade dos microrganismos até sua análise.
Ao contrário dos meios de cultura, os meios de transporte são formulados para não promover a multiplicação bacteriana. Seu objetivo é apenas reduzir o metabolismo microbiano, minimizar alterações ambientais e evitar a morte dos microrganismos durante o período entre a coleta e o processamento laboratorial.
Essa preservação é essencial para garantir resultados microbiológicos confiáveis, reduzindo o risco de falsos negativos decorrentes da perda de viabilidade da amostra.
Qual a diferença dos Swabs com Meio de Transporte Stuart, Amies, Amies com Carvão e Cary-Blair?
Embora todos sejam classificados como meios de transporte microbiológicos, Stuart, Amies, Amies com Carvão e Cary-Blair possuem formulações distintas, desenvolvidas para preservar diferentes tipos de microrganismos e atender a aplicações específicas.
A escolha correta do meio influencia diretamente a viabilidade da amostra, a recuperação do patógeno e a confiabilidade do diagnóstico microbiológico.
Stuart
O meio Stuart foi desenvolvido em 1946 pelo microbiologista R. D. Stuart, tornando-se um dos primeiros meios de transporte microbiológico utilizados em laboratórios clínicos.
Seu objetivo era solucionar um desafio comum da época: manter os microrganismos viáveis durante o transporte entre o local da coleta e o laboratório, sem permitir sua multiplicação.

81628880037
Sua formulação semissólida e não nutritiva representou um importante avanço para a microbiologia clínica e serviu como base para o desenvolvimento de meios mais modernos, como o Amies.
Principais características
- Meio semissólido e não nutritivo;
- Mantém a viabilidade bacteriana durante o transporte;
- Inibe a multiplicação dos microrganismos;
- Possui agentes redutores que minimizam os efeitos do oxigênio sobre bactérias mais sensíveis;
- Amplamente aceito em protocolos laboratoriais clássicos.
Benefícios
- Preserva a integridade da amostra até o processamento;
- Reduz o risco de perda de viabilidade bacteriana;
- Adequado para diferentes tipos de secreções clínicas;
- Excelente custo-benefício para culturas microbiológicas de rotina.
Aplicações
É indicado para o transporte de amostras provenientes de:
- orofaringe;
- cavidade nasal;
- ouvido;
- secreções vaginais;
- feridas;
- lesões cutâneas;
- outras coletas microbiológicas gerais.
É utilizado para preservar microrganismos como:
- Streptococcus spp.;
- Staphylococcus spp.;
- Neisseria spp.;
- Corynebacterium spp.
Amies
O meio Amies foi desenvolvido em 1967 pelo microbiologista C. R. Amies como uma evolução do meio Stuart.
Seu principal objetivo foi aumentar a estabilidade química do meio e melhorar a sobrevivência dos microrganismos durante períodos prolongados de transporte.

81628880037.
A principal modificação foi a substituição do sistema tamponante, proporcionando maior estabilidade do pH e melhores condições para preservação bacteriana.
Hoje, o Amies é considerado um dos meios de transporte mais utilizados na microbiologia clínica.
Principais características
- Meio semissólido;
- Formulação mais estável que o Stuart;
- Melhor controle do pH durante o transporte;
- Maior preservação da viabilidade bacteriana;
- Compatível com uma ampla variedade de culturas microbiológicas.
Benefícios
- Melhor recuperação de bactérias clinicamente importantes;
- Maior estabilidade da amostra;
- Excelente desempenho em transportes prolongados;
- Ampla aplicabilidade na rotina laboratorial.
Aplicações
Recomendado para:
- secreções respiratórias;
- secreções vaginais;
- secreções uretrais;
- lesões de pele;
- feridas;
- culturas microbiológicas em geral.
Microrganismos frequentemente transportados:
- Staphylococcus spp.;
- Streptococcus spp.;
- Enterococcus spp.;
- Neisseria spp.;
- Haemophilus spp.
Amies com Carvão
O meio Amies com Carvão surgiu como uma modificação da formulação original do Amies, incorporando carvão ativado à composição.
Essa alteração foi desenvolvida para aumentar a recuperação de microrganismos fastidiosos, especialmente aqueles sensíveis à ação de substâncias tóxicas presentes na própria amostra.

81628880037.
Atualmente, é considerado um dos meios mais indicados para o transporte de bactérias delicadas.
Principais características
Além das características do Amies convencional, apresenta:
- carvão ativado na formulação;
- maior capacidade de neutralização de compostos tóxicos;
- melhor preservação de bactérias exigentes.
- O carvão atua adsorvendo:
- ácidos graxos;
- metabólitos bacterianos;
- resíduos de antibióticos;
- resíduos de antissépticos.
Benefícios
- Maior taxa de recuperação microbiológica;
- Preservação superior de bactérias fastidiosas;
- Redução da interferência causada por substâncias inibidoras;
- Melhor desempenho quando há atraso no processamento da amostra.
Aplicações
Especialmente recomendado para:
- suspeita de gonorreia;
- coqueluche;
- infecções respiratórias causadas por bactérias fastidiosas;
- pacientes em antibioticoterapia.
Principais microrganismos:
- Neisseria gonorrhoeae;
- Bordetella pertussis;
- Haemophilus influenzae;
- Streptococcus pyogenes.
Cary-Blair
O meio Cary-Blair foi desenvolvido em 1964 pelos pesquisadores Susan Blair e Samuel Cary, com foco específico no transporte de amostras fecais.
Sua formulação foi projetada para preservar enteropatógenos durante longos períodos de transporte, reduzindo o crescimento da microbiota intestinal e aumentando a recuperação dos agentes causadores de infecções gastrointestinais.

81628880037.
Atualmente, é considerado o meio de referência para o transporte de amostras fecais destinadas à investigação microbiológica.
Principais características
- Meio semissólido;
- Baixo teor nutritivo;
- pH levemente alcalino;
- Baixo potencial de oxidação-redução;
- Excelente preservação de bactérias entéricas.
Benefícios
- Mantém elevada viabilidade dos enteropatógenos;
- Evita crescimento excessivo da microbiota fecal;
- Preserva a amostra durante transportes prolongados;
- Alta eficiência na recuperação de patógenos intestinais.
Aplicações
Indicado para:
- fezes;
- swab retal;
- investigação de surtos alimentares;
- vigilância epidemiológica;
- monitoramento sanitário.
Microrganismos mais frequentes:
- Salmonella spp.;
- Shigella spp.;
- Campylobacter spp.;
- Vibrio cholerae;
- Yersinia enterocolitica.
| Meio | Principal diferencial | Aplicação mais indicada |
| Stuart | Meio clássico, semissólido e não nutritivo | Culturas microbiológicas gerais e secreções clínicas |
| Amies | Evolução do Stuart, com maior estabilidade de pH e preservação bacteriana | Rotina microbiológica, secreções respiratórias, genitais e feridas |
| Amies com Carvão | Contém carvão ativado, que neutraliza substâncias tóxicas e melhora a recuperação de bactérias fastidiosas | Neisseria gonorrhoeae, Bordetella pertussis, Haemophilus influenzae e amostras de pacientes em uso de antibióticos |
| Cary-Blair | Formulação específica para enteropatógenos, com pH alcalino e baixo potencial de oxidação-redução | Fezes e swab retal para pesquisa de Salmonella, Shigella, Campylobacter, Vibrio e outros patógenos intestinais |
Como escolher o meio de transporte adequado?
A escolha do meio de transporte microbiológico é uma etapa crítica do processo pré-analítico e pode impactar diretamente a recuperação dos microrganismos e a confiabilidade dos resultados laboratoriais. Um meio inadequado pode reduzir a viabilidade da amostra, favorecer falsos negativos ou comprometer a identificação do agente etiológico.
Para selecionar o swab mais adequado, é importante considerar alguns fatores essenciais.
Tipo de amostra
O primeiro critério é o material biológico que será coletado. Cada meio foi desenvolvido para preservar microrganismos presentes em diferentes tipos de amostras, considerando suas características fisiológicas e microbiológicas.
Por exemplo:
- Secreções respiratórias, orofaríngeas, nasais, vaginais e feridas são, em geral, compatíveis com os meios Stuart ou Amies.
- Amostras fecais e swabs retais devem ser transportados preferencialmente em Cary-Blair, formulado especificamente para preservar enteropatógenos.
Utilizar um meio incompatível com o tipo de amostra pode comprometer a sobrevivência dos microrganismos durante o transporte.
Microrganismo suspeito
A suspeita clínica também deve orientar a escolha do meio de transporte.
Algumas bactérias são consideradas fastidiosas, ou seja, apresentam maior sensibilidade às condições ambientais e podem perder rapidamente sua viabilidade após a coleta.
Nesses casos, o Amies com Carvão é frequentemente a melhor opção, pois o carvão ativado adsorve substâncias potencialmente tóxicas, como ácidos graxos, metabólitos bacterianos, resíduos de antibióticos e antissépticos, aumentando a recuperação de microrganismos como:
- Neisseria gonorrhoeae;
- Bordetella pertussis;
- Haemophilus influenzae.
Quando não há suspeita de bactérias fastidiosas, os meios Stuart ou Amies costumam atender adequadamente às culturas microbiológicas de rotina.
Tempo entre coleta e processamento
Embora todos os meios de transporte tenham como objetivo preservar a viabilidade dos microrganismos, o tempo até o processamento da amostra influencia diretamente a qualidade do diagnóstico.
Quanto maior o intervalo entre a coleta e a semeadura no laboratório, maior a necessidade de um meio capaz de manter a estabilidade microbiológica da amostra.
Sempre que possível, recomenda-se que as amostras sejam encaminhadas ao laboratório o mais rapidamente possível, seguindo as orientações do fabricante e as recomendações dos protocolos laboratoriais. Em situações em que o transporte possa ser prolongado, meios como Amies e Amies com Carvão tendem a oferecer melhor desempenho para diversos microrganismos clinicamente relevantes.
Condições de transporte
Além da escolha do meio, é fundamental que a amostra seja transportada em condições adequadas de temperatura, tempo e biossegurança.
Variações térmicas, exposição à luz, desidratação da amostra ou atrasos excessivos podem reduzir significativamente a viabilidade microbiana, mesmo quando um meio de transporte apropriado é utilizado.
Por isso, é importante seguir as recomendações do fabricante, os procedimentos operacionais padrão (POPs) do laboratório e as diretrizes de órgãos de referência, como o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), quando aplicáveis.
Conheça a linha de Swabs para Coleta e Transporte Olen
A linha de Swabs para Coleta e Transporte Olen oferece soluções para diferentes necessidades da rotina laboratorial, contemplando os meios Stuart, Amies, Amies com Carvão e Cary-Blair.
Todos os produtos contam com:
- ponta em rayon;
- tubo em polipropileno;
- tampa de alta vedação;
- etiqueta para identificação da amostra;
- esterilização por radiação gama;
- embalagem com 100 unidades.
Com diferentes opções de meios de transporte, a linha atende desde culturas microbiológicas de rotina até aplicações específicas envolvendo microrganismos fastidiosos e enteropatógenos.
Relacionados
Artigos relacionados
Obrigado!
Aguarde os próximos passos, logo nossa equipe entrará em contato.
por gentileza, preencha os campos abaixo.
