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Fungos e Doenças: A importância do Diagnóstico Médico

 

Os fungos são encontrados em quase todos os lugares da terra, pois eles são uma forma de vida bastante simples. Os fungos benéficos são importantes na indústria para a fabricação de queijos, iogurtes, cervejas, vinhos e outros alimentos, e também tem seu papel importante na indústria farmacêutica na fabricação de certas drogas como a ciclosporina, que é uma droga imunossupressora e vários antibióticos como a penicilina, que foi o primeiro antibiótico descoberto por Fleming em 1929, cuja substância é produzida pelo fungo Penicillium.

Muitos fungos vivem de forma harmoniosa em nosso corpo. Entretanto, situações que propiciam sua superpopulação podem provocar infecções. Os sistemas afetados podem ser tão superficiais quanto à camada externa da pele, ou tão profundas quanto o coração, o sistema nervoso central, ou as vísceras abdominais e podem ser devastadores, inclusive, provocar a morte em curto espaço de tempo quando não identificado através de um diagnóstico preciso o tipo do fungo patogênico e o não tratamento correto.

 

Principais tipos de fungos e as doenças relacionadas:

 

Categoria Gênero Espécie Doença
Leveduras Cândida albicans
Cryptococcus neoformans
Estomatite, vaginite, infecção nas unhas, infecção sistêmica criptococose (infecção pulmonar, meningite, etc)
Espécies de Aspergillus Aspergilose (infecção pulmonar, infecção sistêmica)
Mofo  Espécies de Mucor e Rhizopus e outras espécies de mofo de pão Mucomicose (infecção pulmonar, infecção sistêmica)
Blastomyces dermatitides Blastomicoses (infecção pulmonar, infecção sistêmica)
Fungos Coccidioides immitis Coccidioidomicose (infecção pulmonar, infecção sistêmica)
Dimorfos  Histoplasma capsulatum Histoplasmose (infecção pulmonar, infecção sistêmica)
Sporothrix shenckii Esporotricose (doença cutânea)
Outros Pneumocytis jiroveci Pneumonia por pneumocystis (PCP)

 

Morfologia dos Fungos Patogênicos

Sabendo que muitas infecções se desenvolvem lentamente, podendo passar meses ou mesmo anos para que uma pessoa perceba a necessidade de acompanhamento médico, é de fundamental importância a identificação desse fungo. Para isso, é importante conhecer a estrutura celular do fungo e a sua função para o tratamento correto.

Os fungos de interesse médico são de dois tipos morfológicos: leveduras, que são unicelulares e bolores ou fungos filamentosos, que são multicelulares.  As leveduras têm como estrutura primária células que se reproduzem por brotamento, estas células são esporos de origem assexual e se denominam blastoconídios. Os fungos filamentosos possuem como elemento constituinte básico a hifa, que pode ser septada ou não septada (cenocítica). A partir da hifa formam-se esporos, para propagação das espécies.

Esses conceitos fundamentais representam a base para a identificação de um fungo, pois a classificação de filamentosos é feita pelas características morfológicas, tanto macroscópicas (cor, aspecto, textura da colônia, etc.), quanto microscópicas (forma e cor da hifa, presença ou não de septos, tipo e arranjo de esporos, etc.), além da velocidade de crescimento (lenta, moderada ou rápida). Já a identificação de leveduras é feita, principalmente, por características fisiológicas, já que, a morfologia destes fungos não é muito variada e não permite distinção entre espécies e, em regra, entre gêneros.

 

Tipos de Exames Microscópicos de amostras

A visualização de estruturas fúngicas em material clínico é um importante instrumento diagnóstico, por isso dos exames microscópicos que tem como finalidade detectar a presença de fungos em material colhido de pacientes com suspeita de infecção fúngica. Mas atenção, os resultados devem ser interpretados de acordo com o tipo de material e o local da lesão, pois muitas vezes, o fungo pode ser parte da flora local, não tendo significado clínico.

O exame microscópico da amostra é realizado por várias técnicas, dependendo do tipo da amostra e suspeita clínica.

 

Exame Microscópico Direto com Hidróxido de Potássio (KOH) a 20%

Tipo de amostra: pelos, pele, unha, tecido obtido por biópsia, exsudatos espessos e outros materiais densos.

Colocar uma gota de KOH (aquoso a 20%) em uma lâmina de microscopia em seguida a amostra a ser examinada. Cobrir com uma lamínula e aquecer ligeiramente, sobre a chama de um bico de Bunsen, sem deixar ferver a mistura. Examinar a preparação após 20 minutos.

 

Exame Microscópico Direto com Tinta de Nanquim (tinta da China)

Tipo de amostra: líquor, urina, secreções ou exsudatos para visualização de leveduras capsuladas do gênero Cryptococcus.

Colocar uma gota de tinta nanquim e uma gota da amostra centrifugada sobre uma lâmina. Cobrir a preparação com lamínula e observar ao microscópio óptico. Nesta técnica, um erro bastante frequente é confundir linfócitos com células de leveduras.

 

Exame Microscópico com Coloração pelo Método de Gram

Tipo de amostra: urina, secreções e fezes.

Todos os fungos são Gram- positivos, por isso a coloração não visa a diferenciação dos microrganismos, mas possibilita discriminar elementos fúngicos de artefatos existentes nas amostras.

 

Exame Microscópico com Coloração Panótica (Giemsa, Leishman ou Wright)

Tipo de amostra: medula óssea, sangue, aspirados e secreção cutânea.

Estas colorações são usadas para pesquisa de Histoplasma capsulatum. Faz-se um esfregaço semelhante ao usado para coloração de Gram. Fixa-se com metanol e cora-se segundo o método escolhido.

 

Meios de cultura

Após o processamento da amostra, pode ser realizado o isolamento do agente etiológico através da semeadura em meios de cultura. Os meios de cultura são insumos preparados em laboratórios que fornecem os nutrientes para o crescimento e desenvolvimento de microrganismos (como bactérias, fungos e leveduras) fora do seu habitat natural. Diferentes microrganismos possuem diferentes necessidades, por isso o meio de cultura é adaptado para satisfazer essas necessidades, utilizando nutrientes específicos dependendo do microrganismo de interesse.

A Kasvi possui uma grande diversidade de produtos neste segmento com mais de 80 meios de cultura e 25 suplementos. Conheça os principais meios usados no mercado para isolamento de fungos:

 

Agar Sabouraud Dextrose (ASD)

É um meio para isolamento de leveduras e fungos, preparado de acordo com o método harmonizado de formulação da Farmacopeia Européia e da Farmacopeia U.S.

  • Dissolver 65 g de pó em 1 litro de água destilada ou deionizada.
  • Aquecer até a completa dissolução.
  • Distribuir cerca de 10 ml por tubo.
  • Esterilizar em autoclave a 121ºC por 15 minutos.

 

Agar Sabouraud Cloranfenicol

é um meio seletivo para isolamento de leveduras e bolores de amostras clínica

  • Dissolver 66 g de pó em 1 litro de água destilada ou deionizada.
  • Aquecer até ferver dissolvendo completamente.
  • Esterilizar em autoclave a 118°C por 15 minutos.
  • Esfriar a 45-50°C.

 

Agar Batata Dextrose

É utilizado no cultivo e contagem de leveduras e fungos enumerados a partir de alimentos e produtos lacticínios.

  • Dissolver 42 g de pó em 1 litro de água destilada ou deionizada.
  • Aquecer até ferver dissolvendo completamente.
  • Esterilizar em autoclave a 121°C por 15 minutos.
  • Resfriar em temperatura ambiente.
  • Ajustar o pH para 3,5 ± 0,1 através da adição de solução de ácido tartárico esterilizado 10%.

 

Caldo Infusão Cérebro e coração (BHI)

É indicado para cultura de grandes variedades de microrganimos aeróbicos e anaeróbicos incluindo leveduras e fungos.  É particularmente adequado para o crescimento de bactérias fastidiosas (exigentes) como: estreptococos, pneumococos ou meningococos.

  • Dissolver 37 g de pó em 1 litro de água destilada ou deionizada.
  • Aquecer até ferver dissolvendo completamente.
  • Esterilizar em autoclave a 121°C por 15 minutos.

 

Boas práticas no procedimento para cultura

Para um diagnóstico preciso, algumas práticas simples e eficazes são necessárias. As amostras coletadas que serão processadas devem ser semeadas na superfície dos meios de cultura, com

alça de níquel-cromo ou pipeta Pasteur, com movimentos em estrias em zig-zag, para permitir a separação de eventuais contaminantes. O ASD é o meio mais utilizado, por ser mais barato e permitir o crescimento de todos os fungos.  A temperatura da estufa também é um fator determinante, para todas as amostras é recomendado que seja feito a 30°C. Esse valor é proveniente de uma média feita das variações de temperatura que acontecem nas diferentes regiões do Brasil.

Bibliografia: