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Pandemia: Quais são os testes de diagnóstico e quando são aplicados?

Testar maciçamente a população. Esta é a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para enfrentar a disseminação do novo coronavírus (Sars-CoV-2), causador da Covid-19. E à medida que crescem os casos de contágio e de mortes relacionadas, aumenta também a oferta de testes para detectar a doença.

Até o começo de junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tinha concedido registro a 134 testes — 106 deles importados – a maioria de países asiáticos. A questão é que, como em todo mercado, no de testes há diferentes produtos com distintos níveis de qualidade, eficácia e aplicabilidade, que variam de acordo com o tempo de sintomas ou de contato com uma pessoa infectada.

Os exames oferecidos comercialmente hoje no Brasil para Covid-19 se dividem em dois universos. A saber, os primeiro são os chamados testes moleculares, que detectam a presença direta do vírus no organismo. O segundo são os testes sorológicos, que analisam se o paciente teve contato com o novo coronavírus pela presença de anticorpos produzidos pelo organismo a partir do contato com ele.

Acompanhe nesse post as principais diferenças e aplicações entre os testes moleculares e os testes sorológicos.

Metodologia de qPCR

São ensaios de base molecular que possuem alta sensibilidade e especificidade, e por isso, são considerados padrão-ouro no diagnóstico da Covid-19 e outras doenças infecciosas. Isso permite um diagnóstico mais consistente em menor tempo, agilizando um tratamento personalizado e, dessa maneira, proporcionando recuperações em tempo reduzido.

A qPCR ou RT-PCR (transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase) utiliza a enzima transcriptase reserva, para fazer uma cópia do RNA do vírus em DNA complementar (cDNA). Em seguida, viabiliza a amplificação e detecção do material genético do patógeno simultaneamente em tempo real. O processo é rápido e permite também a detecção múltipla de sequências alvo em uma mesma reação (PCR Real Time Multiplex).

A metodologia molecular de uma forma geral, permite a detecção dos patógenos na fase mais inicial da infecção, por isso, é um método que pode ser utilizado já nos primeiros dias de infecção. Assim, é possível detectar a infecção em mínimas quantidades de material genético do vírus, mesmo quando a carga viral do paciente é baixa, possibilitando um diagnóstico preciso também na ausência de sintomas.50

teste molecular rt-pcr período

Para o diagnóstico da Covid-19, e outras infecções respiratórias, utilizam-se amostra de secreções da nasofaringe e orofaringe combinados– material obtido da mucosa do fundo do nariz ou da garganta com uso de uma haste flexível (swab).

Normalmente, o resultado dos testes moleculares fica pronto em menos de 24 horas após a coleta da amostra. No entanto, com o cenário atual da pandemia, esse prazo tem se alongado pela alta demanda. Em alguns casos, chega a 07 ou 10 dias. A demora causa preocupação, pois, além de impedir um rápido diagnóstico da doença e a adoção do melhor tratamento para o paciente, torna mais lento o combate à disseminação do vírus.

Testes sorológicos – Teste rápido e ELISA

O teste sorológico tradicional, então conhecido como ELISA ou Quimioluminescência, detecta e quantifica os anticorpos produzidos pelo organismo. O exame é realizado em laboratório e analisa, a partir de uma amostra de sangue do paciente, se houve contato com o novo coronavírus detectando a presença de anticorpos IgM e IgG produzidos pelo organismo. É um método mais barato e acessível, embora considerado de menor sensibilidade e especificidade. Entram também nesse grupo os chamados testes rápidos, que dispõe da metodologia imunocromatográfica.

A presença de anticorpos aumenta rapidamente após o sétimo dia de doença, chegando a estar presente entre o 8º e 14º dia em 89% dos pacientes para anticorpos totais, 73,3% para IgM e 54,1% para IgG. Após o 15º dia de doença, a presença de anticorpos totais chega a 100%. Por isso, para que o teste tenha maior sensibilidade, é recomendado que que o teste sorológico seja realizado, pelo menos, 10 dias após o início dos sintomas

No caso dos testes rápidos, a janela para testagem costuma ser entre o sétimo e o décimo dia. Têm a vantagem de apresentarem o resultado em poucos minutos e não requererem infraestrutura de laboratório para a sua aplicação. A metodologia baseia-se na geração de cor através da reação entre o antígeno e o anticorpo. E as amostras utilizadas são sangue (obtido por punção digital), soro ou plasma.

Os testes rápidos, apesar de mais imprecisos (a quantidade de falsos negativos é maior em comparação aos outros testes), são importantes para o entendimento de epidemiologias emergentes incluindo a investigação de pacientes que tiveram infecções assintomáticas. Desta forma tem demonstrado uma boa eficácia para estudos retrospectivos de resposta imune dos indivíduos infectados. Mas não são adequados para informar sobre o perfil epidemiológico do momento presente.

Em conclusão, a questão-chave para entender a diferença entre os testes disponíveis para Covid-19, é compreender que as indicações são distintas. Assim, os testes moleculares são indicados para identificar infecção ativa. Se a pessoa teve contato com o vírus há poucos dias e começou a apresentar sintomas. Ao passo que os testes sorológicos são mais indicados para apontar se a pessoa já teve contato com o vírus e se desenvolveu anticorpos. Por isso, precisam ser feitos passado mais tempo do surgimento de sintomas, com 10 dias ou mais de intervalo.


Referências: