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Pré-natal: A Importância dos Exames Laboratoriais

Uma agenda repleta de compromissos médicos e laboratoriais passa a fazer parte do dia a dia da mulher assim que se constata uma gravidez. É na consulta do pré-natal que o médico deverá identificar qual é a idade gestacional, a classificação de risco da gravidez, se é de baixo risco ou de alto risco e informar a data provável do nascimento, de acordo com a altura uterina e a data da última menstruação. Esse cuidado tem como objetivo acompanhar a evolução da gestação e prevenir diversas doenças e complicações que podem levar inclusive ao parto prematuro e ao aborto.

O Ministério da Saúde considera seis consultas o número mínimo para um pré-natal saudável. No entanto, o número de consultas pode variar de acordo com a conduta de cada médico e também conforme as peculiaridades da gestação, em geral a paciente é orientada a retornar ao consultório do obstetra mensalmente até o sétimo mês de gravidez. No oitavo, ocorrem duas visitas, uma em cada quinzena. Já no nono e último mês, o encontro com o especialista passa a ser semanal.

Exames Laboratoriais no Pré-natal

1º Trimestre da gestação

Tipagem Sanguínea

A tipagem sanguínea é importante para detectar mulheres que tenham sangue com fator Rh negativo que estejam grávidas de bebês com sangue Rh positivo. Em geral, o sangue do bebê não se mistura com o sangue da mãe durante a gravidez, porém, durante o parto, pode ocorrer esse contato, estimulando o sistema imunológico materno a produzir anticorpos contra o fator Rh do bebê. Em uma próxima gravidez, o sistema imunológico da mãe pode rejeitar um feto com fator Rh positivo, causando uma grave complicação conhecida como eritroblastose fetal.

Toda gestante com fator Rh negativo que está grávida de um bebê com fator Rh positivo deve receber injeção de imunoglobulina no terceiro trimestre e dentro das primeiras 72 horas após o parto, de forma a impedir o sistema imunológico da mãe de produzir anticorpos permanentes contra o fator Rh.

Gestantes fator Rh positivo no sangue não precisam se preocupar com esse tipo de complicação na gravidez.

Hemograma

Tem como principal objetivo a investigação de anemia, que em gestantes é definido quando o valor da hemoglobina é abaixo de 11 g/dl ou um hematócrito menor que 33%.

As gestantes costumam reter líquidos e há uma diluição natural do sangue, fazendo com que o valor normal da hemoglobina seja um pouco mais baixo que nas mulheres não gestantes. Toda grávida pode ter uma anemia leve por causa do aumento do volume de água do sangue, sem que isso tenha relevância clínica. Somente valores de hemoglobina abaixo de 11 g/dl são preocupantes e devem ser tratados.

O hemograma é habitualmente solicitado na primeira consulta e pode ser repetido, a critério do médico, no segundo e no terceiro trimestre de gestação.

Papanicolau

O exame ginecológico de Papanicolau, também chamado de citologia cérvico-vaginal, é usado para o rastreio do câncer do colo do útero. Toda mulher deve fazer este exame de forma regular e o fato de estar grávida não muda essa rotina.

O exame ginecológico comum também serve para detectar corrimentos ou sinais de colpite ou cervicite que possam sugerir uma infecção ginecológica em curso. Todo corrimento com aspecto suspeito deve ser investigado.

Entre as ISTs virais, o HPV possui a maior prevalência com 40,4% dos casos. Além disso, está envolvido com o desenvolvimento de câncer em outros locais: 85% dos casos de câncer de ânus, 40% de vulva, 70% de vagina e 10% de laringe, inclusive em crianças. Existem testes moleculares para a detecção e genotipagem do HPV. A importância do diagnóstico molecular está justamente na possibilidade de conseguir diferenciar os tipos que progridem para o câncer e personalizar a abordagem preventiva.

1° e 3° trimestre da gestação

Glicemia

A dosagem da glicemia no pré-natal serve para o rastreio da diabetes mellitus gestacional. O exame é feito com uma glicemia de jejum na primeira consulta e um teste de tolerância oral à glicose entre a 24ª e a 28ª semana. As gestantes com glicemia entre 85 e 125 mg/dl são as que apresentam alto risco para desenvolver diabetes gestacional ao logo da gravidez e devem ter muito cuidado com a alimentação e com o ganho de peso durante a gestação.

Não existe um consenso universal para o rastreio e diagnóstico da diabetes gestacional, os dados apresentados acima são orientações da FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). As sociedades americana e europeia utilizam métodos e valores diferentes.

1°, 2° e 3° trimestre da gestação

Exame de Urina

Serve para detectar uma eventual infecção urinária e a presença de proteínas que podem indicar tendência a desenvolver pré-eclâmpsia. Dois exames de urina fazem parte da avaliação básica do pré-natal:  EAS (Elementos Anormais de Sedimentoscopia – Urina tipo 1) e a urocultura.

O EAS é um exame simples de urina, que serve, principalmente, para detectar sangramentos, presença de pus (leucócitos) ou de proteínas na urina. A presença de sangue ou pus pode ser um sinal de inflamação do trato urinário, principalmente infecção urinária. Já a presença de proteínas na urina, é um dos possíveis sinais da pré-eclâmpsia, doença que pode surgir no 3° trimestre de gestação.

A urocultura é um exame de urina específico para identificar bactérias na urina. A presença de bactérias na urina da gestante, mesmo sem sintoma, deve ser investigada e tratada, pois aumenta o risco de complicações da gravidez.

Muitas das bactérias causadoras de uretrites são sexualmente transmissíveis, são elas: Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e Mycoplasma genitalium. As ISTs são umas das principais causas de partos pré-maturos no mundo.

Pesquisa de Infecções Através dos Anticorpos IgG e IgM

Outro ponto importante do pré-natal é o rastreio de doenças infecciosas que possam causar complicações no curso da gravidez. Infecções, como toxoplasmose, rubéola, sífilis, herpes, HIV, hepatite e outras, se adquiridas Durante a gravidez, podem provocar aborto, parto prematuro ou má-formações no bebê.

Nesses casos é realizado exames de sangue chamados sorologias, que pesquisam a presença de anticorpos no sangue da mãe contra essas infecções. Em geral, os anticorpos pesquisados são o IgG e o IgM. Um anticorpo do tipo IgM significa que o paciente adquiriu a infecção muito recentemente. Já o anticorpo IgG é um anticorpo de memória, sugere que a infecção é antiga e já curada. Portanto, podemos ter as seguintes situações:

IgM positivo e IgG negativo:

Este resultado indica infecção recente. Se esse tipo de sorologia surgir durante a gravidez, a gestação corre risco.

IgM negativo e IgG positivo:

Esse tipo de sorologia indica que a paciente já teve a doença há muito tempo, curou-se e hoje encontra-se imunizada, sem risco de tê-la novamente. É o melhor resultado para a gestante.

IgM negativo e IgG negativo:

Este resultado indica que a gestante nunca teve a doença. Esse tipo de sorologia sugere que a paciente não está doente, mas não tem imunidade contra a infecção, podendo contraí-la, caso seja exposta durante a gravidez.


Referências: