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Qualidade Microbiológica em Produtos Cosméticos

A capacidade de crescimento e reprodução de microrganismos em produtos cosméticos são conhecidas e estudas há muitos anos. Eles podem causar a deterioração ou mudanças químicas neste tipo de produtos, além de prejuízos para o usuário ou mesmo representar um risco para a saúde.

A contaminação de cosméticos durante o processo de produção pode acarretar diversos danos. A Anvisa tem o papel de promover e proteger a saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, incluindo também os cosméticos.

Assim, a legislação brasileira estabelece padrões de qualidade para produtos cosméticos e institui, entre outras normas, as Boas Práticas de Fabricação e a Análise Microbiológica em Cosméticos, neste último caso a Resolução RDC nº 481/99 estabelece os parâmetros para o controle microbiológico de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes.

Para manter uma boa qualidade durante toda a vida do produto (antes, durante e no final da utilização), as análises microbiológicas incluem considerações sobre o tipo de usuário, local da aplicação, o potencial de alteração de produtos cosméticos, bem como a patogenicidade de microrganismos.

Como uma proteção tanto para os produtos cosméticos quanto para os usuários de cosméticos, os controles microbiológicos adequados são uma parte importante, garantindo um desempenho adequado, principalmente em relação à segurança e saúde.

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>> Leia também: Qual a finalidade de meios de cultura em microbiologia?

A Contaminação Microbiológica do Produto Cosmético

A contaminação microbiológica em um produto pode ser proveniente de diversas fontes, como matéria-prima, água, processo de produção e durante a utilização pelo consumidor.

 

Fabricação do produto

  • Água – minerais dissolvidos que interferem na estabilidade, transparência e fragrância.
  • Contaminantes- Pseudomonas.
  • Ambiente de fabricação – portas de entrada de microrganismos (ar, água, vetores como inseto e animais), embalagens e equipamentos.
  • Matéria-prima – matéria-prima contaminada, modo de produção e capacidade de propiciar o crescimento.
  • Manipuladores – Descamação da pele, contato com produto, higiene e uso de EPIs.

 

Produto acabado

  • Usuário – o próprio consumidor pode durante o uso, manipulação ou contato com o corpo, inserir microrganismos.
  • Ambiente em que se dá o uso do produto.

 

Qualidade e Conservação dos Cosméticos – livres de microrganismos

As possíveis impurezas durante os processos de produção e embalagem são testados através de controles microbiológicos de rotina. Já os microrganismos que entram em contato com o produto enquanto ele está sendo usado é confrontado com o uso de conservantes.

Conservantes tem a função de inibir o crescimento de microrganismos no produto, mantendo-o livre de deteriorações causadas por bactérias, fungos e leveduras. Contudo, mesmo que o fabricante possa oferecer um produto isento de contaminações, o próprio consumidor inadvertidamente pode adicionar uma certa carga microbiana durante o seu uso, tornando-se necessário prover o produto de algum sistema de conservação.

A condição ideal é que o cosmético esteja livre de qualquer tipo de microrganismo, principalmente patogênicos, encontrados durante produção, embalagem e uso, conservando a esterilidade e impedindo a multiplicação desses agentes durante seu prazo de validade na prateleira ou após aberto.

 

Análise de Microrganismos em Cosméticos

A contaminação microbiana pode ser prejudicial tanto para a estética do produto (características físicas, cor, odor, alteração de aparência) quanto para suas características funcionais (alteração de princípios ativos). A confiabilidade do produto e a sua segurança para a saúde do usuário podem ser asseguradas através de análises que irão identificar a ausência de microrganismos patogênicos e determinar o número de microrganismos viáveis permitidos por lei.

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K30-0110Alça para Microbiologia

A qualidade pode ser controlada através de métodos de ensaios de referência (isolamento de microrganismos, cultura e contagem de colônias, a partir das diferentes amostras). Conforme a resolução 481/99 da Anvisa os microrganismos que devem ser analisados e os padrões estabelecidos são:

 Tipo Área de Aplicação e faixa etária  Limites de Aceitabilidade
I Produtos para uso infantil

Produtos para área dos olhos

Produtos que entram em contato com mucosas 

a) Contagem de microorganismos mesófilos aeróbios totais , não mais que 102 UFC/g ou ml Limite máximo 5x 102 UFC/g ou ml.

b) Ausência de Pseudomonas aeruginosa em 1g ou ml.

c) Ausência de Staphylococcus aureus em 1g ou ml.

d) Ausência de Coliformes totais e fecais em 1g ou ml.

e) Ausência de Clostrídios sulfito redutores em 1 g (exclusivamente para talcos).

II Demais produtos susceptíveis à contaminação microbiológica

a) Contagem de microorganismos mesófilos aeróbios totais, não mais que 103 UFC/g ou ml Limite máximo 5x 103 UFC/g ou ml .

b) Ausência de Pseudomonas aeruginosa em 1g ou ml.

c) Ausência de Staphylococcus aureus em 1g ou ml.

d) Ausência de Coliformes totais e fecais em 1g ou ml.

e) Ausência de Clostrídios sulfito redutores em 1 g (exclusivamente para talcos).

 


 

Informações: Portal ANVISA