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Superbactérias: a importância dos testes de sensibilidade

Superbactérias se tornam cada vez mais fortes por causa do uso de antibióticos de forma errada. O que pode parecer uma profecia alarmista é na verdade uma realidade nos sistemas de saúde de todo o mundo. Mas então, como administrar a medicação correta? Um processo simples e muito importante como o antibiograma é uma das respostas para o combate e controle desses microrganismos. Entenda mais.

A importância das Bactérias

As bactérias são parte integral e inseparável da vida na terra. Elas estão intrinsecamente ligadas às vidas de organismos, seres e ao ambiente. Muitas, são benéficas para seu hospedeiro (homem, animal, planta) e provêm nutrientes ou proteção contra patógenos e doenças. São parte presente no corpo humano: revestem a pele, mucosas e cobrem o trato intestinal entre outras coisas.

São responsáveis pelo processo de decomposição da matéria orgânica. Neste processo, elas liberam gases e nutrientes que serão usados novamente por outros seres vivos. Um dos usos mais antigos das bactérias é a fermentação do leite para a produção de iogurte, queijos e coalhadas.

Exatamente por serem pequenas e simples, e terem um curto tempo de reprodução – minutos ou horas –  as bactérias se multiplicam em alta velocidade e conseguem responder rapidamente as mudanças do ambiente criando uma resistência ao que lhe faz mal.

Enquanto algumas bactérias são importantes para saúde e indústria, outras podem causar uma série de doenças. O principal agente contra esses organismos são os antibióticos.  Agentes antimicrobianos têm sua importância na medicina clínica desde a segunda metade do século XX, e, desde então, salvaram um grande número de pessoas com infecções bacterianas. No entanto, a última década do século XX e a primeira década do século XXI têm testemunhado o surgimento e a disseminação da resistência antimicrobiana por essas bactérias patogênicas causando centenas de milhares de mortes por ano no mundo. O primeiro caso de resistência à penicilina foi relatado em 1948.

Hoje, praticamente todos os microrganismos conhecidos desenvolveram resistência a um ou mais antibióticos utilizados na clínica.

As superbactérias ou bactérias multirresistentes surgem quando os antibióticos são utilizados de forma inadequada e acabam provocando uma seleção natural das bactérias mais resistentes. O processo é simples, mas perigoso: bactérias que sobrevivem aos antibióticos podem gerar outras bactérias também resistentes. Os antibióticos são essenciais para combater as infecções, mas seu uso desregrado pode piorar o quadro do paciente. O uso incorreto pode ser a utilização por um período inadequado ou a utilização de um medicamento que não é o recomendado para o tipo de bactéria que está causando a infecção. Isso só contribui para o aumento da resistência antimicrobiana.

A resistência antimicrobiana tornou-se o principal problema de saúde pública no mundo, afetando todos os países, desenvolvidos ou não. Um estudo encomendado pelo governo britânico estima que tais organismos serão responsáveis por mais de 10 milhões de mortes por ano após 2050.

Hoje, 700 mil pessoas morrem por ano vítimas de bactérias resistentes no mundo

Quais são as superbactérias?

Antibiograma

Técnica destinada à determinação da sensibilidade bacteriana in vitro frente a agentes antimicrobianos, também conhecido por Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos (TSA).

Principais Metodologias

Difusão em disco ou Teste de Suscetibilidade Kirby-Bauer

É a técnica mais difundida e utilizada até hoje na rotina de análises clínicas, devido a sua praticidade de execução, baixo custo e confiabilidade de seus resultados. No entanto, apesar de sua relativa simplicidade na execução, a técnica de Kirby-Bauer exige que as instruções sejam seguidas rigorosamente de forma que os resultados obtidos correspondam à realidade e possam ser comparados com as tabelas internacionais.

Um disco de papel de filtro de 6 mm impregnado com uma concentração de um determinado antibiótico, para verificar a resistência em relação a cada um deles, então são uniformemente distribuídos e levemente pressionados sobre a superfície do ágar Mueller-Hinton. O antibiótico teste começa a difundir para fora a partir dos pequenos discos, criando um gradiente de concentração do antibiótico no ágar. Após a incubação, o crescimento bacteriano em volta de cada disco é observado. A área clara que rodeia o disco (halo) revela o local na qual as bactérias não conseguem se desenvolver.

Difusão em disco ou Teste de Suscetibilidade Kirby-Bauer
Difusão em disco ou Teste de Suscetibilidade Kirby-Bauer

Concentração Inibitória Mínima (MIC)

A concentração inibitória mínima é definida como concentração mais baixa de um antimicrobiano necessária para inibir o crescimento de um microrganismo. Além de informar o grau de resistência, a MIC pode dar informações importantes sobre a possível presença de genes envolvidos nos mecanismos de resistência.

Os meios e as etapas de preparação do inóculo e da semeadura das placas são os mesmos utilizados para a técnica de disco-difusão. Os antimicrobianos são impregnados em fitas ou tiras finas com um gradiente de concentração e são marcados na superfície superior com uma escala de concentração.

Esse método possui boa flexibilidade por permitir o teste dos antimicrobianos escolhidos pelo laboratório, porém o custo de cada fita é alto em comparação com os outros métodos e o número de antibióticos testados por placa é limitado.

Concentração Inibitória Mínima
Concentração Inibitória Mínima (MIC) – fonte :
Avaliação da suscetibilidade antimicrobiana de bactérias anaeróbias facultativas isoladas de canais radiculares de dentes com insucesso endodôntico frente aos antibióticos de uso sistêmico ,
DI SANTI et al., 2015

Pecuária e Superbactérias

É comum o uso de antimicrobianos na produção animal para prevenção de doenças e promoção de crescimento dos animais de corte. Infelizmente, essa prática também contribui – por meio da seleção natural – para o surgimento de superbactérias, representando um alerta à saúde pública. As bactérias multirresistentes de origem animal podem ser transmitidos aos seres humanos pelo meio ambiente, pela carne e aos trabalhadores agrícolas, por contato direto.

O Brasil é hoje o terceiro país no mundo a utilizar antibióticos na produção de proteína animal, atrás apenas da China e dos Estados Unidos – e deve continuar nessa posição até pelo menos 2030, como aponta um estudo da Universidade de Princeton (EUA).

O plano nacional de combate a bactérias resistentes é uma força conjunta entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Anvisa a pedido da OMS. Hoje é regulamentado a proibição do uso de penicilinas, cefalosporinas e colistina para a melhoria do desempenho dos animais no Brasil.

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Referências