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Coronavírus: do resfriado a síndromes respiratórias

A nova epidemia da cidade de Wuhan na China chama a atenção novamente ao coronavírus. Uma nova variante do vírus (Covid-19) surgiu em dezembro de 2019, associados a 27 casos de uma pneumonia muito forte. A primeira informação, é provável que todos os casos estavam ligados a um mercado de alimentos e animais vivos. Hoje, são mais de 70 mil casos confirmados.

Entretanto, não é a primeira vez que o coronavírus está a relacionado a grandes epidemias de infecções respiratórias graves.

O que é o coronavírus?

Os coronavírus são um grande grupo de vírus que são comuns entre os animais. Portanto, a maior parte das estirpes de coronavírus circulam entre animais e não chegam sequer a infectar seres humanos. Em casos raros, que ocorre a transmissão de animais para seres humanos, os cientistas chamam de zoonóticos. Como resultado, esses casos podem causar doenças respiratórias, desde um simples resfriado até pneumonias graves.

A saber, apenas sete estirpes de coronavírus entre os milhares existentes são transmitidas para as pessoas

  • Alpha coronavírus 229E e NL63.
  • Beta coronavírus OC43 e HKU1
  • SARS-CoV (causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave ou SARS).
  • MERS-CoV (causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio ou MERS).
  • Covid-19

Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha e beta coronavírus. São frequentemente associados a constipações comuns e responsáveis por doenças respiratórias leves que são naturalmente combatidas pelo próprio sistema imune. Estes tipos de vírus são transmitidos de pessoa para pessoa e levam ao aparecimento de sintomas típicos de uma constipação comum: coriza, tosse, dor de garganta, possivelmente dor de cabeça e talvez febre, que podem durar alguns dias.

Em contrapartida, para aqueles com um sistema imunológico enfraquecido, como idosos, crianças, gestantes, pacientes transplantados ou portadores do HIV, há uma chance de o vírus causar infecção no trato respiratório inferior, com complicações muito mais grave, como pneumonia, bronquite, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até a morte.

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS)

O primeiro caso descrito de infeção pelo SARS-CoV, causador da Síndrome Respiratória Aguda Grave, foi em 2002 na Ásia.  Os morcegos foram a origem mais provável do vírus, que se espalhou para os gatos-da-algália, que eram vendidos em mercados para confecção de alimentos. Desse modo, as pessoas que se alimentaram da carne destes animais, provavelmente crua ou mal cozida, foram infetadas. O vírus espalhou-se depois por transmissão de humano para humano por meio de contato direto.

Foi identificado pela primeira vez na província de Guangdong, no sul da China. De acordo com a OMS, as principais complicações são respiratórias, mas também pode causar diarreia, fadiga, falta de ar, dificuldade respiratória e além disso, insuficiência renal. Dependendo da idade do paciente, a taxa de mortalidade por SARS variou de 0 a 50% dos casos, sendo os idosos os mais vulneráveis.

Em conclusão, o vírus se espalhou para outros 30 países, incluindo Hong Kong, Taiwan, Vietnã, Canadá e Cingapura. Desse modo, a OMS coordenou uma campanha internacional para diagnosticar, rastrear e conter a doença. Foi contido com sucesso alguns meses depois, após 8.400 casos e cerca de 900 mortes. Desde então, nenhum outro caso foi relatado.

Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS)

O primeiro caso de infeção pelo MERS-CoV, causador da Síndrome Respiratória do Oriente Médio, foi na Arábia Saudita em 2012. No caso do MERS, o vírus provavelmente também foi originário dos morcegos, que passou para os dromedários e depois para os humanos. A maneira exata como se espalhou dos dromedários para as pessoas não é bem conhecida. Entretanto, sabe-se que os vírus de animais podem sofrer mutações ou combinar-se com outros vírus para criar novas estirpes capazes de serem transmitidas para as pessoas.

Até agora, todos os casos relatados têm sido associados a países dentro ou perto da Península Arábica. No entanto, o maior surto conhecido de MERS fora da Península Arábica ocorreu na República da Coréia em 2015. O surto foi associado a um viajante que retornara da Península Arábica.

A saber, os principais sintomas são doenças respiratórias graves. Geralmente incluem febre, tosse, falta de ar e pneumonia. Além disso, outros sintomas podem ser: dor muscular, diarreia, vômito e náusea. A transmissão é através do contato direto.

Desde setembro de 2012 até o final de novembro de 2019, a OMS foi notificada de 2.494 casos de infecção confirmados por laboratório com MERS-CoV e 858 mortes associadas.

O Novo Coronavírus (Covid-19)

A origem exata do Covid-19, ainda não foi confirmada, mas investigadores que analisaram o material genético identificaram fortes semelhanças com os coronavírus de morcegos. Segundo a plataforma GISAID, o genoma do novo coronavírus é 80% idêntico ao vírus da SARS, mas mais afastado do vírus MERS.

A transmissão do Covid-19 para os humanos também não foi confirmada, não é claro se este foi transmitido de morcegos para humanos ou se passou através de uma espécie intermediária. De acordo com alguns cientistas, o novo coronavírus é o resultado da recombinação viral – um processo em que mais de um vírus infecta a mesma célula ao mesmo tempo e cria uma estirpe de vírus “recombinante”.

Não se sabe muito sobre como o Covid-19 se espalha. Por isso, o conhecimento atual é amplamente baseado no que se sabe sobre coronavírus semelhantes.  A princípio, propagação de pessoa para pessoa acontece entre contatos próximos e diretos. E, como a maioria dos vírus respiratórios, as pessoas são consideradas mais contagiosas quando são mais sintomáticas.

De acordo com o boletim da OMS do dia 11 de fevereiro de 2020, havia 43.103 casos relatados até este dia, com 1.017 mortes somente na China. Fora da China são 395 casos confirmados em 24 países com apenas 1 morte.

Coronavírus gráfico comparativo mortes por casos
Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/coronavirus-o-que-e-e-como-comecou_i1203294

Velocidade de propagação do vírus

Coronavírus gráfico comparativo 1000 casos por tempo
Fonte: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/coronavirus-o-que-e-e-como-comecou_i1203294

Diagnóstico Molecular

Sem dúvida, um dos grandes desafios de uma epidemia é o diagnóstico rápido e preciso para tomar as medidas corretas para rastrear e conter a doença.

Pessoas com infecção por coronavírus, gripe ou resfriado geralmente desenvolvem sintomas respiratórios similares como febre, tosse e coriza. Embora os sintomas sejam parecidos, saber qual o patógeno causador da infecção é fundamental para o tratamento eficaz. Dessa forma, em doenças respiratórias, devido às suas semelhanças, é fundamental a confirmação do diagnóstico através de testes de laboratório.

Os métodos tradicionais de imunofluorescência direta e cultura podem levar ao subdiagnóstico dos vírus respiratórios e, portanto, contribuir para uma parcela significativa do número de pneumonia adquirida não caracterizada. Esses métodos tradicionais, além de lentos, laboriosos e de baixa sensibilidade, não identificam vírus comuns e de alta incidência, como o coronavírus.

As vantagens da metodologia molecular são a alta sensibilidade, pois é possível a detecção de quantidades mínimas do material genético do vírus, o que é muito importante para amostras clínicas com quantidades reduzidas de moléculas virais. No caso de painéis multiplex, a detecção simultânea de múltiplos patógenos presentes em uma única amostra. A elevada especificidade, com a utilização de uma sequência correspondente a uma região altamente conservada dentro do genoma viral e sondas de captura específicas para cada tipo de vírus respiratório. Além de ser mais rápido, quando comparado aos métodos tradicionais.

Os ensaios de PCR e sua variação PCR em Tempo Real (qPCR) são amplamente utilizados na infectologia clínica. Essa técnica é utilizada para se obter a amplificação seletiva de determinada região de uma molécula de DNA, na qual apenas uma única molécula de DNA pode servir de molde para amplificação, produzindo milhares de cópias da molécula-alvo.

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Referências:

  • https://www.rtp.pt/noticias/mundo/coronavirus-o-que-e-e-como-comecou_i1203294
  • https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/v%C3%ADrus-respirat%C3%B3rios/s%C3%ADndrome-respirat%C3%B3ria-aguda-grave-sars
  • https://www.msdmanuals.com/pt-pt/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/v%C3%ADrus-respirat%C3%B3rios/s%C3%ADndrome-respirat%C3%B3ria-do-oriente-m%C3%A9dio-middle-east-respiratory-syndrome,-mers
  • https://www.who.int/emergencies/mers-cov/en/
  • https://www.who.int/csr/sars/archive/2003_05_07a/en/
  • https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/hepatite-panorama-atual/928-saude-de-a-a-z/coronavirus/13752-mers-cov
  • https://www.health.gov.au/health-topics/novel-coronavirus-2019-ncov
  • https://www.who.int/health-topics/coronavirus
  • https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus
  • https://edition.cnn.com/2020/01/20/health/what-is-coronavirus-explained/index.html