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Hematologia: Como é realizada a técnica de esfregaço de sangue?

O esfregaço de sangue, também conhecido como distensão sanguínea ou ainda extensão sanguínea, é um teste realizado em hematologia para a contagem e a identificação de anormalidades nas células do sangue. O teste consiste na extensão de uma fina camada de sangue sobre uma lâmina de microscopia que, após corada, é analisada em microscópio.

O esfregaço sanguíneo geralmente é feito quando solicitado o hemograma ao paciente. Seu objetivo principal é analisar a morfologia das células, fornecer informações sobre a estimativa do número de leucócitos e plaquetas, investigar problemas hematológicos, distúrbios encontrados no sangue e eventualmente parasitas, como o Plasmodium, causador da malária.

Um esfregaço de sangue pode fornecer informações importantes sobre o paciente, auxiliando o médico no diagnóstico de doenças relacionadas ao sangue, por exemplo as anemias, e outras condições médicas, tais como infecções.

Apesar dos avanços em hematologia, na área de automação e uso de metodologias moleculares, um teste aparentemente simples como este ainda é indispensável. O primeiro passo para se obter resultados confiáveis é a confecção de um bom esfregaço de sangue e, para tanto, é necessário empregar as técnicas corretas.

Técnica de esfregaço de sangue

O método de preparação para demonstrar melhor os tipos celulares do sangue periférico é o esfregaço de sangue. Uma gota de sangue é colocada diretamente sobre uma lâmina de vidro e espalhada em uma camada fina pela sua superfície. Isso é obtido espalhando-se a gota de sangue com a borda de uma lâmina histológica ao longo de outra lâmina, com o objetivo de produzir uma monocamada de células.

Vamos ao passo a passo para realizar o teste:

  1. Apoiar a lâmina de microscopia, já com a identificação do paciente, sobre uma superfície limpa. Certificar-se de que a lâmina tem boa qualidade e não está suja ou possui vestígios de gordura, o que pode prejudicar o teste.
  2. Colocar uma pequena gota de sangue próxima a uma das extremidades da lâmina.
  3.  Com o auxílio de outra lâmina, colocar a gota de sangue em contato com sua borda. Para isso a lâmina extensora deve fazer um movimento para trás tocando a gota com o dorso em um ângulo 45°.
  4. O sangue da gota irá se espalhar pela borda da lâmina extensora por capilaridade.
  5. A lâmina deve então deslizar suave e uniformemente sobre a outra, em direção oposta a extremidade em que está a gota de sangue. O sangue será “puxado” pela lâmina.
  6. Depois de completamente estendido, o sangue forma uma película sobre a lâmina de vidro.
  7. Deve-se deixar que o esfregaço seque sem nenhuma interferência.
  8. Seguir para o passo de coloração.
Técnica de Esfregaço de sangue

Técnica de Esfregaço de sangue

É necessário esfregar uma lâmina sobre a outra rapidamente, antes que o sangue seque ou coagule. Uma pressão excessiva ou qualquer movimento de parada durante esse processo pode comprometer o esfregaço.

É importante lembrar também que a espessura da película é determinada, em grande parte, pelo ângulo formado entre as lâminas no momento da extensão da gota de sangue. Ângulos maiores que 45°, por exemplo, produzem extensões espessas e curtas, dificultando posteriormente a visualização das células.

Sistema de tubos de coleta e interferentes na análise de sangue

Coloração de esfregaço de sangue

Para a técnica de esfregaço sanguíneo é utilizada uma mistura especial de corantes para tingir todas as células sanguíneas. Existem muitas variações como a coloração de Leishman, Giemsa, Wright ou May-Grünwald. Tratam-se de modificações da coloração a base de corantes Romanovsky.

A denominação confere ao médico russo Dmitri Leonidovich Romanowsky os créditos pelo desenvolvimento do método, em 1891. A mistura de corantes inclui um corante básico e um corante ácido, consistindo basicamente em azul de metileno e eosina Y (ou similar).

A afinidade das estruturas celulares por corantes específicos ou por combinações de corantes dessa mistura proporciona uma visualização diferenciada das células sanguíneas.

Observação da lâmina

  1. Cabeça da lâmina: região imediatamente após o local em que estava a gota sanguínea. Nessa região, com frequência, há aumento do número de leucócitos (principalmente de linfócitos).
  2. Corpo da lâmina: região intermediária entre cabeça e cauda. É nessa região que os leucócitos, hemácias e plaquetas estão distribuídas de forma mais homogênea. É a área de escolha para a análise qualitativa e quantitativa da distensão sanguínea.
  3. Cauda da lâmina: região final da distensão sanguínea. Nessa região, há encontro de alguns esferócitos e elevação de monócitos e granulócitos, que podem apresentar maior distorção morfológica.
Lâmina Microscopia: 1 - Cabeça, 2 - Corpo e 3 - Cauda

Lâmina Microscopia: 1 – Cabeça, 2 – Corpo e 3 – Cauda

Qual a diferença entre os diversos modelos de lâminas e lamínulas?

Aplicação do esfregaço de sangue

Algumas vezes é possível realizar um diagnóstico definitivo a partir de um esfregaço de sangue. Porém, rotineiramente ele serve como uma indicação/base para que sejam realizados outros testes confirmatórios.

Existem muitas doenças que podem ter efeito sobre o número e tipo de células sanguíneas produzidas, sua função e vida útil. Embora geralmente apenas as células maduras normais sejam liberadas na corrente sanguínea, algumas circunstâncias podem forçar a medula óssea a liberar células imaturas e/ou malformadas no sangue.

O teste de esfregaço pode indicar uma série de deficiências, apontando alterações e anormalidades nessas células sanguíneas. Várias doenças podem ser identificadas como os diversos tipos de anemia, trombositose, malária, leucemia, linfomas ou insuficiência da medula óssea e outras.

Esfregaço sanguíneo de anemia falciforme. Corado pelo método de Wright mostra células com formato anormal de “foice”.¹

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Referências

¹ROSS, Michael H., PAWLINA, Wojciech. Ross | Histologia – Texto e Atlas – Correlações com Biologia Celular e Molecular, 7ª edição . Guanabara Koogan, 2016.  

PIRES, Carlos Eduardo de Moreira, ALMEIDA, Lara de, COELHO, Alexander Brilhante. Microscopia: Contexto Histórico, Técnicas e Procedimentos para Observação de Amostras Biológicas. Érica, 2014

ABRAHAMSOHN, Paulo. Histologia. Guanabara Koogan, 2016.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML) :
coleta e preparo da amostra biológica. – Barueri, SP : Manole : Minha Editora, 2014.

BAIN, B. Diagnosis from the Blood Smear. Department of Haematology, St. Mary’s Hospital, London. N Engl J Med .2005

ADEWOYIN A, NWOGOH B. Peripheral blood film – a review. Annals of Ibadan Postgraduate Medicine . 2014; 12 (2): 71-79.

Sociedade Internacional de Hematologia de Laboratório (ISLH).