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Microscópios binocular e trinocular: Diferenças e particularidades

Além de conhecer os tipos de microscópio, é preciso entender a aplicação que será dada ao equipamento e observar o tipo de amostra que será analisada. Assim como, conhecer o sistema de iluminação, a qualidade do sistema óptico, recursos disponíveis, robustez do sistema mecânico e as técnicas que podem ser utilizadas no equipamento.

Desde sua invenção no final do século XVl, por Hans Janssen e seu filho Zacharias, dois holandeses fabricantes de óculos, os microscópios passaram por significantes evoluções tornando-os um equipamento cada vez mais potente e preciso. Tecnologias ópticas especiais foram desenvolvidas para proporcionar uma observação mais clara e reveladora. Os aprimoramentos foram aplicados, principalmente, aos sistemas de iluminação e nos tipos de luz. Hoje eles são divididos em duas categorias: a microscopia de luz ou óptica e microscopia eletrônica.

Microscopia de luz ou óptica

Funciona com um conjunto de lentes (ocular e objetiva) que ampliam a imagem transpassada por um feixe de luz, permitindo a observação de detalhes de até 200 nanômetros. O que determina a riqueza de detalhes da imagem fornecida por um sistema óptico é o seu limite de resolução, e não o seu poder de aumentar o tamanho dos objetos. A propriedade de aumentar apenas tem valor prático se acompanhada de um aumento paralelo do poder resolutivo. O limite de resolução depende essencialmente da objetiva. A ocular não pode acrescentar detalhes à imagem; sua função é apenas aumentar de tamanho a imagem, que é projetada em seu plano de foco pela objetiva. Dividem-se em: Microscópio ultravioleta, Microscópio de fluorescência, Microscópio de contraste de fase e Microscópio de polarização.

Microscopia eletrônica

Os microscópios eletrônicos utilizam, em vez da luz, um feixe de elétrons, para iluminar a amostra, combinado a lentes eletrostáticas e eletromagnéticas. Sua capacidade de ampliação é superior à dos microscópios de luz, atingindo um nível de resolução de 0,2 nanômetros. Oferecem um grau detalhado de caracterizações estruturais, espectroscópicas, composicionais e cristalográficas em diferentes materiais. Por utilizarem ponteiras de vidro com alta sensibilidade à superfície da amostra, permitem a formação de uma imagem com informações tridimensionais. Os tipos principais são: Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV) e Microscópio Eletrônico de Transmissão (MET).

O modelo mais comum atualmente, utilizados por laboratórios e instituições de ensino, é o chamado microscópio óptico. São modelos modernos, que oferecem o conforto e a tecnologia necessários para a realização plena das principais atividades. Podem ser caracterizados como binoculares ou trinoculares.

Microscópio Binocular

Os microscópios binoculares trabalham com duas lentes oculares e possibilitam uma ótima visualização do objeto em análise. Esses modelos se destinam basicamente a visualização de estruturas anatômicas, vivas ou mortas, gerando imagens tridimensionais. Os binoculares ópticos possuem um poder de ampliação de 10 até 1.600 vezes e permitem uma operação com luz direta e a observação de objetos transparentes.

Microscópio Trinocular

O diferencial deste tipo de microscópio é a observação em três tubos: um para cada olho e o terceiro para conectar uma câmera. Com isso, é possível a realização de diferentes tarefas, como análise, captação, edição e compartilhamento de imagens em alta definição, além da vantagem de correção de cores para facilitar a visualização. A possibilidade de realizar análises por meio de projeções em outros dispositivos permite o usuário trabalhar de modo mais didático e colaborativo.

Preparação de amostras para a microscopia

A preparação de amostras é um tópico extenso que deve ser estudado caso a caso. No entanto, apresentaremos abaixo alguns conceitos e pré-requisitos básicos, mas importantes para a preparação das amostras.

Na microscopia óptica usa-se como porta amostras as lâminas ou lamínulas de vidro, que são extremamente planas e transparentes para que a luz passe pela amostra e permita sua visualização. Outra função é tornar a amostra mais plana e/ou tornar possível o uso da lente de imersão.

A preparação de amostra pode ser simples, como pulverizar a amostra sobre a lâmina, mas também pode ser mais trabalhosa, como no caso dos cortes histológicos. Onde é necessário introduzir a amostra em resina para gerar um bloco que é cortado em fatias finíssimas por um equipamento chamado micrótomo. E assim fazer a análise da amostra.

Outro procedimento comum é o uso de corantes cromóforos, que se fixam em estruturas específicas de determinadas amostras, revelando sua morfologia. Com isso, estruturas transparentes podem ser analisadas.

Já na microscopia eletrônica, a preparação das amostras é bem diferente. Na maioria dos casos, a amostra precisa estar completamente seca e ser condutora de eletricidade. O porta amostra é metálico e conhecido como stub. Para fixar a amostra sobre a sua superfície, utiliza-se uma fita de carbono, que também é condutora.

Para a Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), é necessário um procedimento chamado metalização. Consiste na deposição catódica a frio (sputtering), que permite depositar camadas extremamente finas (da ordem de poucos nanômetros) de ouro, platina, cromo, etc sobre a amostra. Outra forma de metalização é a evaporação de carbono.

Para a Microscopia Eletrônica de Transmissão (TEM), é importante que a amostra seja muito fina, menor que 50 nm, o que torna a preparação de amostra normalmente mais delicada. São realizadas em pequenas telas metálicas (ou grids) de 3 mm de diâmetro.  Há diversas formas de preparação, como a diluição de amostras coloidais e gotejamento sobre uma tela recoberta. A ultramicrotomia, e a moagem de amostra para deposição sobre a tela.

microscópio: reações histoquímicas de espécies.
Reações histoquímicas no limbo de espécies de Justicia cultivadas em estufa. Secções transversais do limbo de J. brandegeeana (a, f), J. gendarussa (b, d, e, h) e J. pectoralis (c, g) evidenciando reação no litocisto (a, b), tricoma glandular (c, d, e, g) e parênquima clorofiliano (f). Microscopia de luz (a–g). As figuras ilustram reações positivas para substâncias fenólicas evidenciadas pelo sulfato ferroso (a, c) em marrom/negro-azulado, polissacarídeos gerais mostrados pelo vermelho de rutênio (b, e) em rosa púrpura e em cinza quando negativo, terpenos indicados pelo reagente de Nadi (d) em azul/roxo, substâncias lipídicas (seta) evidenciadas pelo sudan IV (f, g). fonte e direitos das imagem: Fábio Cassola
microscópio: eletromicrografias
Eletromicrografias de varredura da face adaxial do limbo de espécies de Justicia sob diferentes formas de cultivo (estufa e campo). Eletromicrografias do limbo de J. brandegeeana (a, b), J. gendarussa (c, d) cultivados em estufa (coluna da esquerda) e em campo (coluna da direita). es: estômato; hi: hifa; nc: nervura central; tg: tricoma glandular. Barras: b e c = 10 μm; a e d = 100 μm. fonte e direitos das imagem: Fábio Cassola

Produtos Microscopia


Referências
  • Uso de Microscopia de Luz e Eletrônica como Técnicas de Análise Morfológica – Embrapa Agroenergia – Circular Técnica 15 – 2017
  • https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1085307/1/CIT15CNPAE.pdf
  • https://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/biografia/a-importancia-do-microscopio-para-a-biologia-microscopio-celulas-microrganismos.htm
  • https://biologo.com.br/bio/microscopia/
  • https://www.shopveterinario.com.br/blog/tipos-de-microscopios/
  • http://ca.iq.usp.br/novo/paginas_view.php?idPagina=16
  • https://www.amscope.com/how-to-choose-microscope
  • Caracterização morfoanatômica e do perfil químico de três espécies de Justicia L. (Acanthaceae) sob diferentes condições de cultivo – Fábio Cassola – Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Biologia – 2017
  • http://repositorio.unicamp.br/jspui/bitstream/REPOSIP/334716/1/Cassola_Fabio_M.pdf